Já quase nada que aconteça neste dia-a-dia frenético em que se transformou a nossa vida me espanta. Tudo e qualquer coisa mais, pode sempre acontecer sem que nada o fizesse prever.
É assim na nossa Assembleia da República, em que alguns daqueles que elegemos se maltratam, se agridem verbalmente, tocando a raia do inconcebível;
É assim nas nossas urgências hospitalares, em que volta e meia aparece alguém que acha que deve ser tratado de forma diferente da de todos os outros, e vai daí parte para o insulto, ou até mesmo para a bofetada;
É assim nas nossas estradas e rotundas em que há sempre um "chico esperto" com mais pressa do que todos os outros, e ultrapassa pela direita ou, faz a rotunda todo por fora quando vai saír na terceira ou quarta saída;
É assim nas nossas Escolas, em que grassa a a indisciplina, reina a discórdia entre pequenos grupos que se guerreiam, gera-se o caos num abrir e fechar de olhos por que alguém insultou outro alguém, por que alguém surripia material escolar, o lanche, a boina, eu sei lá...;
É assim nos nossos Tribunais em que gente indiciada pelo cometimento de crimes graves, como violência doméstica, pornografia infantil, tentativa frustrada, ou não, de homicídio, roubo, agressão, corrupção, branqueamento de capitais, fuga aos impostos, é ouvida pela Juiz e vai para casa com pulseira electrónica e curtir no bem bom...
É assim e nada aponta para que estejamos a caminhar para coisas melhores.
Estamos brandos, estamos acobardados, estamos cientes de tanta maldade que por aí grassa, mas não nos erguemos, não nos rebelamos, não nos zangamos de uma vez, com este triste estado de coisas e gritamos: basta, já não aguentamos mais!...