14 junho 2026

Escola,... câmaras de vigilância, já!

Um dia destes, estaremos a escancarar  a boca de espanto, quando alguém preconizar que o melhor será instalar câmaras de vigilância nos corredores e salas de aula das nossas escolas. O insulto, a agressão verbal e/ou física, o arremesso do que estiver mais à mão, quer seja uma cadeira, quer seja uma tesoura, a postura insolente, mal criada, a soberba, a arrogância, a berraria desaustinada e sem nexo, o arrôto, a soltura de gases, quer seja nos corredores, quer seja no interior da sala de aula, tudo isto são situações que estão a acontecer todos os dias em muitas das escolas portuguesas. É o caos, a anarquia, o descrédito, a desvalorização, o desrespeito, a desautorização por todos os professores(as) e funcionários(as) do edifício escolar. Tudo se permite. Tudo se perdoa. Tudo se facilita para ter os meninos(as) de narizes bem empinados, conscientes de gozarem de total impunidade, não importa o tamanho da asneira que tenham cometido.

A "Escola" de hoje, se nada for feito no entretanto, é um embuste, é uma verdadeira falcatrua... E isto é culpa nossa! É culpa do respectivo Ministério, é culpa das Direcções de cada Escola, é culpa dos alunos que não acatam ordens, disciplina, e boas regras de conduta cívica, é culpa de toda a estrutura escolar que compactua com este miserável estado de coisas - por medo, por não haver já quem se atreva a parar este caos e, finalmente, é culpa de todos nós enquanto Sociedade, enquanto Pais daqueles pequenos gangues que cirandam pelos corredores das nossas Escolas, sem qualquer espécie de receio que se acabe de uma vez com este deplorável estado de coisas. Pena é que ainda existam entre os alunos(as) - ainda as há, felizmente! - meia dúzia de pérolas obrigadas a aguentar e a sofrer, calando e suportando o que, de modo nenhum, deveria acontecer.

Uma "Escola" em que a maioria da camada estudantil que a frequenta parece mais esvaziada de valores do que nunca, em que a impunidade por comportamentos indignos e menos consentâneos se agrava a cada dia que passa, pelo simples facto de que ninguém na cúpula de poder quer mexer com este "status quo" verdadeiramente catastrófico, indecoroso e atentatório das mais basilares regras da boa educação. Alguns Directores estão mais preocupados com a classificação da "sua "Escola" no final do ano, e como tal, não se agudizam situações com os alunos e seus Encarregados de Educação. Aliás, cada vez mais, os pais alheiam-se da educação dos seus filhos e da responsabilidade pelos seus actos, delegando na Escola aquilo que à mesma não compete.

Uma escola em que a meio do tempo escolar de uma qualquer aula toque um telemóvel e o(a) aluno(a) declara: "professor(a), tenho que atender, é a minha Mãe" e o/a Professor(a) lhe recomenda: "não atendes o telefone, estamos a meio de uma aula, não pode ser" e, de imediato, surge uma balbúrdia infernal com 6, 7 dos restantes a gritarem alto e bom som: "ó Professora, tem que atender, se calhar é algo de grave, se fosse comigo, tenha paciência, eu atendia!" Ó meu Deus, mas se estamos a meio de um tempo lectivo em sala de aula, aquela Mãe não vê o óbvio, não vislumbra que, por muito urgente que fosse, primeiro ligava para o PBX da Escola que, consoante a situação, encaminharia a chamada para o/a Professor(a) respectivo(a)? Com tal comportamento indevido, aquela mãe gerou um burburinho difícil de conter, que sobrou para o(a) professor(a) resolver.

Que escola é esta, que a despeito de todas as faltas dos seus educandos serem automaticamente registadas numa plataforma do Ministério, denominada "Inovar", haja Encarregados de Educação que ficam todos "zangados" porque os Directores de Turma solicitam os respectivos Atestados médicos para justificar tais faltas? Por que será que os Paizinhos não verificam  a tal plataforma e fazem o necessário junto do seu médico de família? Pois é: consultar a plataforma todos os dias ou uma vez por semana que fosse, e ver a vida dos seus filhos, dá trabalho, é uma chatice, tem mais que fazer, ou era só o que faltava, não é verdade?

Estamos a nivelar por baixo. Estamos a acabar com os bons - que ainda os há! - e a incentivar, a dar gás, a alimentar o ego de uma data de malformados, de medíocres, de preguiçosos, de mal-educados, de gente rude, arrogante, tão cheios de si próprios que mais parecem pequenos malfeitores quando se agrupam em grupelhos pervertidos que semeiam o mal, a discórdia, a balbúrdia e deixam um rasto de caos na sua esteira. A maioria dos alunos dos nossos dias revela uma confrangedora falta de humildade, donos de alguma soberba, sempre cheios de razão, cheios de direitos, cheios de saber, quando são dos mais descerebrados que a sociedade portuguesa gerou nos últimos tempos. Geração de talentos, dos mais bem preparados de sempre!... Puro engano. Não são capazes de escrever um parágrafo com princípio, meio e fim. Não são capazes de analisar um texto e dizer por palavras suas o que acabaram de ler. Se a nota que tiram no teste não lhes agrada, pedem ao professor "testes adaptados", como aqueles que o professor dá a alunos com necessidades educativas especiais… Trata-se de calões, de gente sem garra, que não faz nenhum esforço por já ter concluído que a escola está ali para isso mesmo, ou seja, baixar o nível até que estes azelhas consigam aproximar-se da nota que lhes dá a passagem para o ano seguinte. E a escola, a bem dos tais níveis que as classificam no tal "ranking" que tanto agrada aos senhores directores, tudo permite, tudo concede, a tudo aninha. Para esta gente que superintende nas direcções escolares, para alguns deles, repito, tudo vale a pena para ter os alunos fidelizados ao agrupamento. 

No que toca aos pais, e nomeadamente, àquele que de entre ambos desempenha a função de encarregado de educação, a mesma direcção escolar que mencionamos no parágrafo acima, tudo permite, tudo aceita, tudo acata e tudo faz para manter os paizinhos satisfeitos, descansados e ausentes de grandes tomadas de posição e de preocupações. A escola está transformada em "armazém" onde se "despejam" os "rebentos" às 8 horas da manhã e se passa para buscar no final do  dia de trabalho. A escola que os eduque, que os transforme para melhor, que os ature, que faça deles homens e mulheres preparados cívica, moral, ética  e profissionalmente para o mercado de trabalho e, "a posteriori", irem às suas vidinhas.

Vivemos, na actualidade, tempos altamente preocupantes. Referimo-nos à IA (inteligência artificial), que, quer queiramos ou não, está aí a "pegar de estaca". Para o bem e para o mal, tudo depende do uso que dela fizermos e das cabeças mais ou menos bem concebidas que a utilizem. Infelizmente, está a usar-se de forma descabida e nada aconselhável. Faltam conversa, educação, indicação clara e precisa, aconselhamento e alertas sobre os benefícios/malefícios, por parte da "Casa", dos Pais, dos Avós, de quem quer que seja que detenha a responsabilidade pela criação com bons alicerces morais, intelectuais e espirituais de quem os gerou, de quem os pôs neste mundo. Se os deixarmos à solta, os resultados serão, para muitos deles, uma verdadeira armadilha para o seu futuro.

 

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